Bogoliubov, a Tablita e o fim dos empates

fevereiro 14, 2011

Nos jogos de tabuleiro as peças brancas sempre começam o jogo. No mundo do xadrez diz-se que há uma pequena vantagem para quem faz o primeiro lance. Não sei se é verídico o que se conta a respeito do folclórico campeão russo Bogoliubov. Ele dizia que quando jogava com as brancas ganhava porque tinha a vantagem do primeiro lance, quando jogava com as peças pretas ganhava porque era Bogoliubov.

No jogo de damas antigamente você ia para o torneio e, se tivesse as peças brancas, sendo o primeiro a jogar, tinha a opção de dar um rumo à partida jogando 1. c3-d4 ou 1. c3-b4 ou ainda as peças em a3, e3 ou g3. Nada que assegurasse alguma vantagem, mas pelo menos levava-se a partida para uma área conhecida. Então o que ocorria? Eram jogadas partidas conhecidas por ambos os oponentes e os dirigentes começaram a reclamar do alto índice de empates.

Na Rússia, em 1980, inventaram a Tablita. “A Tablita foi criada para ser utilizada apenas em eventos de alto nível, onde o nível técnico dos participantes é muito elevado e o volume de empates é muito alto. A Confederação Brasileira de Jogo de Damas adotou como oficial o uso da Tablita nos Campeonatos Brasileiros, pois o nível técnico dos participantes é muito alto e é praticamente impossível que jogadores desse nível percam partidas quando eles podem escolher uma abertura que é totalmente decorada”.

Ou seja, esses mestres podem até perder uma partida ao cair na arapuca da Tablita. Você iniciar a partida com uma peça colocada em a5, no canto, quando todos buscam o centro do tabuleiro, eu acho que já é uma desvantagem. Enfim, manda quem pode, obedece quem não tem alternativa.

No diagrama acima, uma posição ilógica: foi sorteada a posição a3-h4 a7-a3. A branca que estava em a3 vai para h4 e a peça preta que estava em a7 vai para a3. Façam o jogo, senhores. Nem começou e já se tem uma peça preta em a3 tentando arrombar a janela. Francamente, não gosto disso.

Anúncios