Final de duas pedras contra duas pedras

janeiro 26, 2012

Acho que já contei uma das passagens do damista Hilton, morador de Mesquita, RJ, muito bem humorado e de força mediana no esporte intelectual, mas nunca é demais repetir esse capítulo.

Como dizia, Hilton era um sujeito muito brincalhão. Certa vez apareceu um adversário para uma partida amistosa e ele estava meio atarefado. Pediu paciência à pessoa porque teria que resolver um problema na fábrica.

– Vai resolvendo esse probleminha de duas pedras contra duas pedras que não me demoro.

Armou a posição no tabuleiro e se foi…

Meia hora depois estava de volta.

– Como é, resolveu o problema das duas pedras?

– Difícil, não consegui não…

E rindo gostosamente, entre baforadas do seu inseparável charuto, Hilton arrematou:

– Se você não sabe jogar sozinho com duas pedras, como quer jogar comigo com doze?

O tal probleminha, ou melhor, final de duas pedras contra duas pedras, fazia parte do livro de Waldemar Bakumenko, Jóias do Jogo de Damas, que passamos a transcrever tal como no livro se encontra.

Eis uma posição onde, com tão reduzido material, se demonstra um dos mais importantes princípios do jogo de damas: o valor das casas centrais do tabuleiro.

      1. f4-g5! b8-c7 2. g5-h6! …

Magnífico e único lance para ganho.

      2. … c7-b6

Se 2. … c7-d6 3. c5xe7 a5-b4 4. e7-f8D b4-ce 5. f8-b4  x.

      3. c5xa7 a5-b4 4. a7-b8 b4-c3 5. b8-f4! c3-b2 6. f4-e5!

e as pretas não podem coroar a pedra.

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Duas damas e pedra contra quatro pedras

julho 21, 2009

Final de jogo, as cartas estão na mesa, cabe a você tomar as decisões, gastando o tempo que for necessário.

Na literatura do jogo de damas existem os finais e os problemas. Sempre jogam as brancas. Nos problemas os lances das peças pretas são obrigatórios, sempre executando uma captura forçada pelas brancas e que leva a uma vitória das mesmas. Na final nem sempre há lances obrigatórios. Devemos jogar por ambos os lados fazendo os lances das pretas os mais corretos possíveis a fim de prolongar a duração da partida. A derrota é iminente mas as pretas devem lutar.

Peças brancas: b8Dama, c1Dama, d2
Peças pretas: a7, h2, h6, h8

1. d2-e3 h8-g7

Se 1. … h2-g1D 2. b8-h2 e 2. g1:d4 3. c1-g5 com ganho.

2. c1-d2! h1-g1D

Se 2. … h6-g5 3. b8-g3 h2:f4  4. d2-c1 ganhando.

3. b8-h2 g1-d4  4. d2-g5 h6:f4  5. h2:c3 com vitória.


O “tempo” no jogo de damas

julho 2, 2009

Há um conceito abstrato no jogo de damas chamado tempo e que consiste na capacidade de entrar em oposição à peça do adversário obstruindo-lhe os movimentos. Irônicamente, a pressa em fazer o lance faz-nos perder o “tempo” e às vezes até a partida.

Nos finais de partida é onde mais se exercita o controle do tempo. Vamos supor um final de partida onde restam duas peças pretas nas posições f8 e g7 e duas peças brancas nas posições e1 e f4. Jogam as brancas.

1. f4-e5  f8-e7

Depois da troca 1. … g7-f6  2. e5:g7 f8:h6 as pretas cairiam na oposição, perdendo a partida.

2. e1-d2! g7-h6
3. d2-c3!

Se houver o equívoco de se jogar 2. d2-e3? perde-se o tempo. A sequência seria 2. … h6-g5  3. e5-f6 e7-d6! fugindo pela diagonal a3-f8 sem perigo de oposição, com empate.

3. … e7-f6
4. e5:g7 h6:f8

5. c3-d4, com vitória.

O final acima foi publicado no livro Jóias do Jogo de Damas, de Waldemar Bakumenko sendo os comentários também de sua autoria.