Ou, quem quer muito traz de casa.
Cinco meses após o torneio relatado no post abaixo houve outra festividade damista na Baixada Fluminense, desta vez no Tênis Clube de Mesquita. O Mestre Geraldino Izidoro novamente esteve participando de uma simultânea. Não me lembro da quantidade de adversários enfrentados por ele nesse dia, mas eram pelo menos uns quinze. Como o simultanista inicia o jogo em todos os tabuleiros ele iniciou com um lance não muito ortodoxo, e3-f4, em todas as partidas. Fui um de seus oponentes.
No futebol existe a máxima “quem não faz leva”. Mas pode não levar, é questão de sorte. No jogo de damas o ditado é um pouco diferente: “quem quer muito traz de casa”, e diz respeito ao fato de que, quando uma partida está tecnicamente empatada, forçar um ganho só faz enfraquecer as posições e o teimoso tem tudo para perder. Foi o que aconteceu na minha partida com o saudoso Izidoro. E o pior é que tive de aguentar gozação. Quando saíamos ele, às gargalhadas, apontando para mim, dizia:
- Esse aí tomou um balão.
Vamos aos lances da partida Izidoro X Lailo
1. ef-f4 f6-e5 2. f2-e3 b6-c5 3.c3-b4 g7-f6 4. b4-a5 e5-d4
5. g3-h4 d4xf2 6. g1xe3 f4-g5 7. h4xf6 e7xg5 8. b2-c3 g5-h4
9. e1-f2 h8-g7 10. a1-b2 f8-e7 11. c3-b4 g7-f6 12. f4-g5 h6xf4
13. e3xg5 f6-e5 14. g5-h6 e7-f6 15. h2-g3 c5-d4 16. b2-c3 d4xb2
17. b4-c5 d6-b4 18. a5xa1 a7-b6 19. d2-e3 b6-c5 20. a1-b2 c7-b6
21. b2-c3 b8-a7 22. c1-b2 d8-c7?? 23. a3-b4 e 24. e3-f4, com vitória.
